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EXEMPLO: Daniel A.G.T., Larsson
Junior C.E. & Larsson C.E. 2008. Manifestação incomum de escabiose
felina. Pesquisa Veterinária Brasileira 28 (Supl.). Departamento de Clínica
Médica, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São
Paulo, Av. Professor Orlando Marques de Paiva 87, São Paulo, SP 05508-270, Brasil. E-mail: alegtd@yahoo.com.br Introdução: A escabiose felina, também denominada sarna da cabeça e pescoço ou sarna notoédrica, decorre do parasitismo pelo ácaro da família Sarcoptidae, Notoedres cati. Constitui-se em enfermidade altamente contagiosa, com características antropozoonóticas e ergodermatósicas, transmitida pelo contato, direto ou indireto, com gatos enfermos. Acomete, entre os felinos susceptíveis, principalmente os jovens e imunossuprimidos e, também cães, raposas, coelhos e o próprio homem (Scott et al. 2001). No Brasil, as dermatites parasitárias representam 36,8% da casuística das dermatopatias felinas, sendo que dentre estas a sarna notoédrica é a principal enfermidade com 18,5% dos casos, sobrepujando a sarna otodécica, as pulicioses, a pediculose e a demodicidose (Otsuka & Larsson, 1996). Historicamente, atendem-se 32,8 casos/ano de escabiose felina, principalmente em gatos sem raça definida (78%), de pêlo curto (81,3%), machos (58,3%), com idade de até 12 meses (63,5%), evoluindo em 80,5% dos casos há menos de 90 dias e sem qualquer característica de sazonalidade (Castro et al. 2004). As lesões tegumentares se manifestam por alopecia, espessas crostas castanho-acinzentadas, encimando áreas eritematosas, com abundante hiperqueratose e liquenificação, principalmente na região da cabeça e pescoço. Cursa com intenso prurido, lambedura continua das áreas lesadas, afora evidente linfoadenomegalia satélite. Tais lesões disseminam-se para os pavilhões auriculares, região cervical, membros pélvicos, abdome e períneo (Guaguère et al. 2000, Scott et al. 2001). No homem, a escabiose decorrente do parasitismo pelo Sarcoptes scabiei, pode nos casos crônicos, acometer os espaços interdigitais e dorso dos dedos das mãos; raramente tais lesões se distribuem nas faces palmares, sendo esta forma mais freqüente na chamada sarna norueguesa, caracterizada por crostas espessas, estratificadas, amareladas, bastante aderentes (Bechelli & Curban 1998). Para o tratamento da escabiose felina, atualmente se tem empregado as lactonas macrocíclicas, principalmente as avermectinas (Ivermectina "per os" e selamectina tópica). Ambas são preconizadas para animais acima de três meses de idade, mostrando alta efetividade, com poucas reações adversas, sistêmicas ou tegumentares (Scott et al. 2001, Krautmann 2001). São menos trabalhosas, quanto à aplicação, do que a clássica terapia com os formamidínicos (Amitraz®). No Brasil, se preconiza ainda como terapia adjuvante, o emprego de xampus ou sabões escabicidas à base de monossulfiram (Larsson & Larsson Jr 2006). O escopo do presente trabalho é o de relatar manifestação incomum de lesões crostosas em face palmar das patas, que se assemelham a sarna norueguesa humana, em um gato criado na Capital de São Paulo. Material e Métodos: Um animal da espécie felina, fêmea, de dois anos de idade, foi atendido no Serviço de Dermatologia do Hospital Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo com queixa de lesões crostosas, eritema e prurido na região dos coxins dos membros torácicos. O prurido era manifestado através da lambedura e mordedura constante da extremidade dos membros. O proprietário do animal (AGTD, sexo masculino, 24 anos) apresentava lesões pápulo-eritematosas, pruriginosas, disseminadas na face medial dos braços, pernas e abdome. Ao realizar-se o exame físico do animal, foi evidenciado linfoadenomegalia dos submandibulares e poplíteos, eritema, crostas e queratose na região dos coxins palmares dos membros anteriores. Após o exame físico, foi realizado colheita de material para a realização de cultivo micológico (Agar Sabouraud a 25ºC e 37ºC) e exame parasitológico de raspado cutâneo da região dos coxins. Ao examinar o material, oriundo das lesões, foram observados diversos exemplares de N. cati, em todos os campos microscópicos (aumentos de 10x e 40x). Não houve crescimento de dermatófitos ou leveduras no cultivo fúngico. Estabelecido o diagnóstico de escabiose felina, iniciou-se terapia com ivermectina (dose de 0,3 mg/kg), em aplicações subcutâneas, quinzenais, totalizando duas aplicações, complementando-se com banhos com sabonete a base de monossulfiram, a cada 3-4 dias. No retorno do animal, para a aplicação da segunda dose de ivermectina, não se evidenciava prurido, lesões ou mesmo parasitas no exame parasitológico controle. Após 30 dias do início do tratamento, o animal recebeu alta, clínica e parasitológica. O proprietário foi submetido também, por indicação de um dermatologista humano, à terapia com ivermectina na dose habitual, "per os" com plena recuperação em sete dias. Discussão e Conclusão: A bibliografia dermatológica veterinária (Guaguère et al. 2000, Scott et al. 2001) enfoca as lesões da sarna notoédrica como sendo bastante características, afetando, na maioria dos casos, a região cefálica (orelhas e face) e cervical do paciente felino, com posterior disseminação para outras regiões corpóreas. As lesões raramente acometem a região dos coxins de per se, sendo esta manifestação pouco freqüente na espécie (Guaguère et al. 2000). Embora rara, a onicomicose dermatofítica, causada pelo M. canis, pode causar, em gatos, lesões podais caracterizadas por paroníquia e onicodistrofia, resultando em quadros que mimetizam a disqueratinização ("Seborréia-símile"), com descamação e crostas proeminentes, também, na região dos coxins digitais (Scott et al. 2001). Porém, nesse caso, o cultivo micológico foi negativo quanto ao crescimento de M. canis ou mesmo de leveduras. Outra enfermidade dermatológica que comumente causa paroníquia com lesões crostosas, eritema e descamação, é o pênfigo foliáceo felino (Guaguère et al. 2000, Scott et al. 2001). Para se diagnosticar cabalmente esta imunopatia, deve ser descartada qualquer outra etiologia alérgica, micótica, bacteriana ou ectoparasitária. No paciente fulcro do relato, a presença dos ácaros sarcoptídeos ao exame parasitológico, os sintomas, as lesões e as manifestações sintomáticas no proprietário, afora a pronta resposta à terapia empregada, permitiu o descarte de outras etiologias. Em humanos, a variedade de escabiose denominada "Sarna Norueguesa ou Sarna crostosa'' tem manifestações sintomato-lesionais similares ao quadro do paciente felino. Acomete mais a região de extremidade de membros no homem, como as mãos e pés, sendo mais comumente encontrada em idosos e pacientes imunossuprimidos. É altamente pruriginosa, e está associada com uma reação cutânea exacerbada ao ácaro. Devido a esta apresentação clínica da escabiose felina, similar à "escabiose crostosa ou norueguesa" do homem, e perante seus aspectos antropozoonóticos, o presente caso se mostrou bastante incomum, merecendo, na óptica dos autores, o presente relato. Referências: Bechelli L.M. & Curban G.V. 1988. Compêndio de Dermatologia. 6ª ed., Ed Atheneu, p.309-323 - Larsson C.E. & Larsson Jr. C.E. 2006. Farmacologia dermatológica, p.701-728. In: Spinosa H.S., Górniak S.L. & Bernardi M.M. (Ed.), Farmacologia Aplicada à Medicina Veterinária. 4ªed. Guanabara Koogan, São Paulo. - Scott D.W., Miller Jr W.H. & Griffi n C.E. 2001. Small Animal Dermatology. 6th edition. Saunders. p.176-484 - Krautmann M.J. 2001. Safety of selamectin in cats. Vet. Parasithol. 91:393-403 - Castro R.C.C. 2005. Levantamento retrospectivo de casos de escabiose canina e felina, atendidos na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, no período compreendido entre 1984 e 2002. . Braz. J. Vet. Res. Anim. Sci., 42(3):135-142.J. Vet. Res. Anim. Sci., 42(3):135- 142. Otsuka M. & Larsson C.E. 2005. Dermatopatias e otopatias de felinos domésticos no Serviço de Dermatologia do Hospital Veterinário da Universidade de São Paulo (1986-1996). Curso de Especialização em Dermatologia Veterinária. 1a ed USP/SBDV. São Paulo. TERMOS DE INDEXAÇÃO: Gato, Notoedres cati, escabiose, felino.
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